domingo, 1 de novembro de 2026

Palavras Apenas








Zuleika e Tomé gostavam do alvorecer. 

Era um momento mágico do dia onde os olhos fechados se despertavam ao presente,  deixando para trás  o que ficou do dia de ontem. 

Eram felizes a cada despertar. Agradeciam a vida nova que pulsava uma vez mais. 

Cada tempo, daquela nova possibilidade de serem felizes, era vivido com toda intensidade.

Entre o labor cotidiano e as horas discorridas, aguardavam, serenamente, o pulsar de cada momento.

A tarde já  se insinuava tranquila. 

O pátio é a declividade pela qual o céu se derrama na casa e era um local de boa prosa... serena,

Tinham consciência da idade avançada de ambos e que a eternidade espera na encruzilhada de estrelas.

O crepúsculo era sempre insinuante.

Há uma hora da tarde em que a planície está prestes a dizer algo; nunca o diz, ou talvez o diga infinitamente, e nós não entendemos...

Eles, porém., entendiam a linguagem das horas, dos minutos, dos segundos...

Por que vibravam ao abrirem seus olhos e conversavam bastante?

Porque eram cientes da efemeridade da vida, pelos sinais, já reconheciam algo que aprenderam há muito tempo: a vida é um sopro.


Para pensarmos:

Quando o fim se aproxima, já não restam imagens da lembrança; restam apenas palavras.



Participo da iniciativa da amiga Mônica.



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