Tenho a janela do meu coração fechada. Os segredos continuarão enterrados. Sei bem como é perder o viço contranossa vontade.
Cicatrizessangram de arder,
Deixam marcas em meu viver. Levo nas mãos marcas da luta, Sei da dureza da dura labuta, De como não desanimar, lutar, Prosseguir, servir e Amar.
Há no céu um suave perfume, Encanta-me e me inspira Na linda Estação do Amor, Espalhado, docemente, no ar.
À espera, no desejo incontido, Sofrido dentro do Amor Orvalho, Agita, esquenta tudo belamente, Delicadamente faz na mente Um rebuliço por inteiro no bem.
Tecer palavras, bordar sentimentos Levam-me pela jornada desta vida Numa inspiração perfeita De encantamento... É o Amor Orvalho.
"Senhora tu não devias permitir tantos enganos. Há excesso de alegrias, e excesso de desenganos."
Lucíola se casou com um homem que conheceu por cartas num namoro moroso e ele morava num outro país dentro do mesmo continente.
No início, não podia imaginar as verdadeiras intenções do seu futuro cônjuge. Ela tinha uma inocência de arrepiar os racionais e de fazer os insensíveis se aproveitarem...
Pouco a pouco, aquele homem educado, romântico, charmoso, sabia escrever muito bem, tanto quanto enganar moças na lábia.
Era seu primeiro casamento, sonhava com um lar de afeto, já que preparou um enxoval esmerado como toda moça da sua idade noutro tempo muito distante.
Era uma moça jovem, já formada e com sustento próprio.
Ele veio ao seu encontro cheio de planos com ela que cria, piamente, em tudo que lhe dizia, enganando-a para lhe conquistar.
Como ela só o conhecia por cartas e foto, logo assim que houve o primeiro encontro, onde o moço veio à casa de seus pais, ela sentiu uma decepção. Ele era uma coisa que não correspondia à realidade. A fisionomia era desagradável. Ela não desanimou, entretanto. Sabia que o amor não era beleza física.
Durante todo o namoro, se fez de muito honesto e responsável. Soube logo como conquistar a moça. Caso contrário, não conseguiria.
No fundo, Lucíola passou sua adolescência muito reprimida e sua mãe, que mais parecia uma madrasta, lhe dava muitos motivos para, logo que crescesse e pudesse, saísse de casa a fim de ter paz no coração.
Assim que aquele irresponsável com jeito de homem, fantasiado de honrado, em seguida se desfez da carapuça, da máscara de príncipe encantado e se vestiu do seu normal traje de dom Juan... de um sapo indomável irreconhecível.
💙💙
O que vocês imaginam que houve com Lucília?
Creem que pudesse haver um final feliz para o novo casal?
Dias e noites em prantos copiosos... dor no âmago de minha alma. Desaprendi de sorrir subitamente. Sem esforço algum ou fingimento. Muitos vivem o luto do coração sem muitas alterações. Naturalmente, como ordem natural da vida.
Eu não... jamais conseguiria. Até hoje meu sorriso é triste e embargado na alma. Dura realidade só minha.
"O luto é o Amor que se recursa a morrer.
É se recusar deixar a memória de quem amamos para trás."
É continuar vivendo o amor com uma imensidão de saudade."
Antes...
Ao acordar, te esperava crendo que me despertarias... virias me dar o bom dia, o beijo costumeiro e tão esperado. Acordavas antes de mim. Algumas vezes, poucas, os olhos que haviam sido beijados ao adormecerem, despertavas juntinho.
Até a hora do almoço, fazíamos nossas coisas diárias.
Eu cuidava do almoço, depois de termos tomado nosso café matinal como gostávamos ambos.
A manhã ia passando devagarzinho e feliz.
Com mensagens quando saias, emojis ao celulare muito carinho. Tuas comidas preferidas, nossos gostos em comum nos paladares... tudo muito gostoso, saboroso.
O almoço era nosso encontro certeiro, nunca atrasavas. Tínhamos nossos horários a dois bem certinhos.
Vinha a habitual soneca também juntinhos.
À tarde, sempre bem ocupados estávamos.
O ócio não nos pertencia. Sempre que precisavas de algo, até ligação, tu me atendias mesmo que estivesses ocupado em algum afazer mais urgente.
Procurava não te molestar e algumas vezes, a saudade me impelia a uma rápida ligação ou mensagem. Um momentinho de mimos trocávamos com ternura.
"Nascemos para amar... Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura. Tu és doce atractivo, ó Formosura, Que encanta, que seduz, que persuade."
Tudo era lindo demais.
Finalmente vinha o anoitecer, depois da nossas preces vespertinas, lanche do anoitecer.
Gostavas quando era servido algo mais suculento, se fazia frio ou algo bem gostoso no frescor da entrada do descanso do sol...
Tudo em uníssono vivíamos. Era a cumplicidade que nos movia e envolvia.
O encanto da noite era o momento mágico de boa e longa prosa, vias futebol e eu tecia e, pelo nosso time, eu também torcia.
Abençoávamo-nos, num abraço azul, dormíamos enlaçados e de mãos dadas, num afago insubstituível e fora do normal da maioria dos casais que conhecíamos.
Nossa prosa noturna era sempre longa, envolta em aconchego e muita intensidade.
O dormir era só uma necessidade física, sabíamos que ao abrirmos nossos olhos, um estaria ali pertinho para o outro, prontos para tudo recomeçar e amar de novo e novamente... todas as vezes que quiséssemos, sem hora marcada, sem dia certo, a tempo e a hora de nossas buscas e desejos do coração bem cheios de afinidades...
E assim vivíamos... dia após dia, ano após ano.
"Para me acostumar
À tua intermitente ausência
Ensinei às timbilas
A espera do silêncio. "
Agora...
No céu, haverá o reencontro!
Abençoada Semana Santa aos amigos.
"Eu aceitei sua partida, mas nunca vou aceitar sua ausência"
Pois é no orvalho das pequenas coisas que o coração encontra sua manhã e se renova.
(Khalil Gibran)
O Amor é a passos lentos... Doce na alma... São pequenas gotículas Como as do orvalho, Caem sem ninguém perceber... O sapatinho do coração Deixa-se com ele... Seu príncipe para sempre...
Mariana tinha já se formado, conquistado sua independência financeira, quando, de repente, sua amiga da pré adolescência lhe chega com uma carta inesperada.
A amiga era dada à cartomancia e a convidou para acompanhá-la numa das idas.
Ela não entendia nada daquilo, mas foi com ela por companhia, não mais.
Lá chegando, com a tal carta na bolsa, as amigas, sempre juntas desde os nove anos, foram recebendo uma 'previsão ' de um futuro casamento e a moça logo perguntou se tinha a ver com a tal carta...
A pessoa sorriu e 'previu' uma oficialização com direito à aliança grossa e tudo.
Como uma pessoa estranha que nunca a tinha visto e não sabia nada sobre ela, poderia 'adivinhar' tal coisa?
Bem, saindo de tal 'consulta', a jovem resolveu confiar naquela missiva em que o jovem de outrora, dos seus quinze anos, em correspondência postal, já havia se casado e divorciado e resolveu procurar por ela novamente.
Respondeu naturalmente a carta, motivada pelo que disse a tal cartomante e o jovem já havia entendido que, na outra ocasião, ela era jovem demais para tal compromisso.
Foram dois anos de namoro por correspondência numa época em que não tinham celular nem meios virtuais modernos.
As cartas eram cheias de enredo romântico e muita esperança de um amor verdadeiro. A moça ficava encantada com poemas feitos para ela, com desenhos amorosos e outras simbologias que a iludiam cada vez mais...
O rapaz parecia querer compromisso sério e cada missiva era cheia do 'falso amor '.
A moça foi se enamorando de uma pessoa que não era a verdadeira.
Apenas uma foto única e um tolo coração feminino cheio de romantismo (que não teve merecimento mais tarde quando o príncipe virou sapo).
Uma vez ganha sua confiança, ela assumiu perante a família o relacionamento de longe e ele, finalmente, viria para se casar com ela, sem sequer se conhecerem pessoalmente.
O único que conheciam um do outro era a voz, pois as fitas cassetes eram enviadas via postal de um país ao outro.
A moça reuniu amigas e família para a despedida de solteira (numa confraternização bonita com um "chá de panela") pois o imaginário 'príncipe' iria chegar.
A festa foi bonita e ela, crendo ter encontrado a felicidade tão sonhada, era puro contentamento juvenil de um coração sonhador...
Como você imagina um final feliz para Mariana?
O que acham que aconteceu depois?
Deixem nos comentários suas opiniões, se desejarem...
"Quando se abria aos afetos, era sempre sem reservas nem refolhos; sabia amar o que era digno de ser amado, sabia estimar o que era digno de ser estimado."